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Isabelle Stengers No tempo das catástrofes. Quinze questões e um artifício sobre a obra

Rico Machado


Uma cientista no altar da interrogação, Isabelle Stengers, nascida em 1949, é formada em Química e professora de filosofia da ciência na Universidade Livre de Bruxelas. Em 1993 foi laureada com o prêmio de filosofia da academia francesa. É autora de livros sobre teoria do caos, em parceria com Ilya Prigogine, físico-químico russo-belga e prêmio Nobel, conhecido por seu trabalho com estruturas dissipativas, sistemas complexos e irreversibilidade. O primeiro deles, publicado em 1979, chama-se La nouvelle aliance.

Isabelle Stengers (Reproução Alchetron)

Desde 1989 é professora na universidade onde se formou, em Bruxelas, na Bélgica. depois publicou mais de uma dezena de outros livros, entre eles A invenção das ciências modernas e, na segunda metade da década de 1990, a coleção Cosmopolitiques, que na versão francesa está dividida em sete volumes: La guerre des sciences; L’invention de la mecanique: Pouvoir et raison; Thermodynamique: La realite physique em crise; Mecanique quantique: La fin du revê; Au nom de la fleche du temps; La vie et l’artifice: Visages de l’emergence; e Pour en finir avec la tolerance. a versão em inglês foi dividida em dois volumes. esse trabalho nunca foi traduzido para o português.

O tempo


Há doze anos a humanidade experimentava, em escala global, aquela que seria uma de suas crises financeiras mais consistentes. Atualmente, nos vemos mergulhados dos pés à cabeça em suas entranhas, como que a viver a crise e não na crise. Repetimos o gesto de Isabelle Stengers realizado em outubro de 2008. Nessa data ela escrevia as últimas linhas de No tempo das catástrofes (São Paulo: Cosac e Naify, 2015) e nós, no sentido inverso, onze anos depois, abrimos as primeiras páginas de sua obra, como quem dá vida às palavras, como quem faz da catástrofe da crença absolutista na racionalidade humana um réquiem sobre si próprio. O tempo em que este ensaio é escrito (em sua dobra semântica: como período histórico e qualidade climática) tem sua melhor definição nas palavras finais do poema Autonomia de Wisława Szymborska: “o abismo não nos divide / o abismo nos circunda”. (2016, p. 145). A crise como forma de vida assume no Brasil a institucionalidade do primeiro governo de extrema direita a vencer eleições presidenciais e a tomar posse em 1º janeiro de 2019. A obra, no entanto, não trata exatamente de política nos termos de uma Filosofia Política, mas de política nos termos da filosofia da ciência, cátedra na qual Isabelle Stengers dá aulas desde 1989.

Para apresentar a obra No tempo das catástrofes, optamos por elaborar 15 perguntas e propor, ao final, um artifício, articulando aspectos teóricos do texto, com aspectos conjunturais. Qualquer aparência de redução da complexidade do pensamento engendrado por Stengers é efeito de um esforço didático de apresentação do livro, não de uma simplificação de sua potente obra filosófica. Recomendamos, para ampliar o espectro de compreensão da obra, consultar a bibliografia listada nas referências deste texto, bem como os vídeos de algumas conferências apresentadas pela autora no Brasil e no exterior.


O texto na íntegra podeser acessando neste link. Apresentaremos cada uma das perguntas e o artifício final em posts independentes. Acompanhe as próximas postagens.

Jornalista, mestre em Comunicação e Especialista em Filosofia. É doutorando em Cultura e Significação na UFRGS, onde realiza pesquisa relacionando antropofagia e semiótica.

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